Educação de filhos

Como tirar as crianças de frente das telas?

Como tirar as crianças de frente das telas?

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Já são mais de 3 meses em isolamento e suspensão das aulas presenciais. Com as crianças em casa, as famílias precisaram se reinventar para dar o suporte necessário ao desenvolvimento dos filhos nesta fase. Uma tarefa muito desafiadora, visto que além do cuidado com os pequenos, os pais também precisam conciliar as atividades do trabalho, da casa, além do cuidado pessoal.  O apoio da escola com as aulas online e orientações para as famílias tem sido fundamental para auxiliar neste processo. Mesmo assim, é comum recorrermos ao uso das telas para distrair a criança enquanto nos dedicamos a outras demandas, por esta ser a maneira mais fácil entreter e ocupar os pequenos durante este período.

O quanto isso pode ser prejudicial para a criança? Existe um tempo máximo de exposição recomendado? Aulas online contam como tempo de tela? Como não recorrer demasiadamente ao uso das telas?

Para saber, conversamos com a neuropsicopedagoga e educadora cristã, Camila Gin, que trouxe algumas orientações e dicas práticas para nos ajudar neste desafio.

Começamos entendendo a dinâmica e os efeitos da exposição às telas para as crianças.

Qual é a recomendação dos especialistas sobre o tempo de exposição a telas na primeira infância?

O excesso de uso de tela é especialmente prejudicial na primeira infância, porque compromete as oportunidades de interação. O recomendado é que crianças com menos de 02 anos de idade não tenham nenhum contato com as telas, entre 3 e 5 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenta até 1h de exposição por dia, pelo risco de atrasos no desenvolvimento da fala e ocorrências de comportamentos agressivos. Isso ocorre porque a dinâmica e o tempo de resposta para as situações mostradas nas telas não correspondem ao que vivenciamos na realidade, o que gera frustração e irritação nas crianças. Além disso, até os 6 anos de idade, o cérebro da criança está em pleno desenvolvimento e é necessário que ela receba estímulos adequados através de interações interpessoais, considerando principalmente a afetividade a fala e a motricidade. Colocar a criança parada e passiva em frete à tela é o mesmo que travar o seu desenvolvimento.  

As aulas online se enquadram neste contexto de exposição a telas?

As aulas online possuem o diferencial de serem ministradas por pessoas com as quais as crianças já estabeleceram um vínculo afetivo. Então, neste caso, são oportunidades de interação com aprendizados significativos, sobretudo quando falamos de aulas ao vivo, visto que elas podem conversar, fazer perguntas e trocar experiências com os colegas. Além disso, elas também recebem estímulos através da proposta e cobrança de atividades que ajudam em seu desenvolvimento intelectual. Neste momento de escolas fechadas, este recurso deve sim ser utilizado.

Que tipos de telas podem ser mais prejudiciais?

Não há diferença em relação ao formato da tela e sim quanto ao conteúdo. Os jogos eletrônicos causam mais danos por estimularem a liberação de hormônios que causam efeitos semelhantes aos provocados pelo uso de drogas. Por isso, algumas crianças parecem “viciadas” em telas e jogos.

E agora? Como tirar as crianças de frente das telas? Veja essas valiosas dicas a seguir.

Conscientes de que esta é uma medida realmente necessária, devemos entender que o processo deve ser feito com planejamento, respeito e paciência. É necessário trazer alternativas e ser consistente.

As crianças buscam as telas por três principais motivos: estão entediadas, querem diversão e precisam interagir. Reserve uma parte de seu tempo, em momentos estratégicos baseados nessas demandas, mesmo que sejam apenas 10 minutinhos dedicados, para propor, ensinar, direcionar e incentivar a realização de atividades e brincadeiras. Trabalhos manuais, pintura, massinha e leitura são ótimas opções. Também podemos utilizar o método do “pote do tédio”, um recipiente com uma série de propostas de atividades escritas em pedaços de papel, previamente selecionadas juntamente com a criança, para serem sorteadas como opções de brincadeiras nos momentos de tédio, tais como andar de bicicleta, fazer uma receita e brincar com jogos de tabuleiro.

Ao mesmo tempo, acorde a retirada gradativa das telas com a criança. Menos 15 minutos de exposição diária, por exemplo. Para facilitar a compreensão da noção de tempo pela criança, desenhe um círculo em um papel e divida-o em 4 fatias iguais, cada uma representa um espaço de tempo. A cada 15 minutos, pinte uma das fatias para que a criança entenda quando deverá parar de assistir e cumpra o acordo com mais facilidade.

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