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Debater sobre Evolução: Tem Sentido?

Debater sobre Evolução: Tem Sentido?

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Já há algum tempo, temos visto essa disputa a respeito do tema da evolução. Quantas entrevistas foram feitas, quantas matérias de jornal não tem sido escritas a respeito disso? O estereótipo do “criacionismo versus evolucionismo” vem sempre à mente, pois é o que parece ser. Ou, querem fazer parecer. A verdade que é o debate real tem pouca ou nenhuma relação com o tema “fé e ciência”.

Se por “ciência” queremos dizer ciência empírica, é preciso concordar. A ciência empírica procura a verdade propondo hipóteses e comparando-as com as evidências pertinentes. Se uma hipótese é consistente com a evidência, é necessário considerá-la ao verdadeira, ou ao menos mais provável do que as hipóteses alternativas. Mas se a hipótese for inconsistente com a evidência, é necessário revisar ou rejeitar a hipótese, uma vez que a sua forma não descreve a realidade sugerida pela evidência. Esse processo não é tão simples como parece, contudo ele é a mais pura ciência.

Um significado diferente

No mundo ocidental moderno, o termo “ciência” assumiu um significado muito diferente do que o descrito acima. Para muita gente, “ciência” é apenas a busca de explicações naturalistas. Nesse sentido, a “ciência” busca explicar a realidade apenas em termos de entidades materiais e forças. Essa abordagem é limitada além do necessário: um cientista pode admitir que certo fenômeno específico pode não ter uma explicação natural. Na prática, no entanto, a abordagem geralmente consegue ser ilimitada, já que muitos cientistas consideram como sendo seu dever de perseverar — ter  — até encontrar explicações naturalistas para tudo. Qualquer coisa que não possa ser explicada em termos naturalistas é considerada ilusória — incluindo a mente, o livre arbítrio, a alma e até mesmo Deus. No caso específico da fé em Deus, não há guerra alguma com a ciência empírica; aliás, há uma relação de grande amizade. Contudo, é a filosofia materialista que costuma ultrapassar as fronteiras da ciência empírica, e ir de conflito frontal com a fé em Deus.

A ciência, neste sentido assumido hoje, é na verdade pura filosofia materialista aplicada. Ela insiste em montar explicações materialistas, mesmo quando a evidência vai contra. Existe um livro, lançado apenas nos EUA, chamado Zombie Science, que defende a ideia de que essas explicações sejam empiricamente mortas, mas que continuam sendo reavivadas até hoje, como se estivessem no estado de morto-vivo — ou seja, seriam zumbis.

O Que É Evolução, afinal?

A explicação que Darwin procurou fazer é de como uma espécie evolui a partir de outra espécie. Sua explicação permanece sendo considerada bela em sua simplicidade: a variação na herança exercida pela seleção natural — sobrevivência do mais apto — faz com que alguns traços herdados sejam transmitidos às próximas gerações, enquanto outros são excluídos.

Não há motivos para duvidar disso. As evidências sugerem esse processo como descrito. E em resumo, a teoria de Darwin era isso mesmo. Não há controvérsia nenhuma. Se substituirmos “natural” por “artificial”, vamos incluir também muitos agricultores e criadores de animais para testemunhar a verdade dessa teoria. Contudo, quando se fala de controvérsia, não é dessa teoria que se está falando. A controvérsia está relacionada ao questionamento sobre se apenas a variação e a seleção levariam à origem de novas espécies, órgãos e planos corporais.

Microevolução e Macroevolução

Na página 12 do livro Genetics and the Origin of Species (1937), o famoso evolucionista Theodosius Dobzhansky fez uma importante distinção entre “microevolução” (pequenas alterações nas espécies existentes) e “macroevolução” (a origem de novas espécies, órgãos e planos corporais):

Não há como entender os mecanismos das mudanças macroevolutivas, que exigem tempo em escala geológica, a não ser através de uma compreensão completa dos processos microevolucionários observáveis ​​no período da vida humana e frequentemente controlados pela vontade do homem. Por essa razão, somos compelidos, no atual nível de conhecimento, a colocar um sinal de igualdade entre os mecanismos de macro e microevolução e, seguindo essa premissa, levar nossas investigações o mais longe que essa hipótese de trabalho permitir.

Mas a “hipótese de trabalho” de Dobzhansky nunca foi confirmada empiricamente. Em 1997, o biólogo evolucionista Keith Stewart Thomson escreveu: “Uma questão nunca resolvida entre biólogos é a identificação da evidência incontroversa da evolução” e “essa evidência definitiva da evolução é especiação [a origem das espécies], e não a adaptação local com diferenciação das populações”. Antes de Darwin, o consenso era de que as espécies pudessem variar apenas dentro de certos limites; de fato, longos períodos de seleção artificial demonstraram tais limites experimentalmente. “Darwin teve que mostrar que esses limites poderiam ser quebrados, e nós também”, escreveu Thomson.

Apesar da falta de evidências suficientes, a macroevolução é considerada tão científica quanto a microevolução. No entanto, essa afirmação só é baseada no viés materialista da ciência, e não na ciência empírica.

Um Pé Divino

Em 1979, o historiador Neal Gillespie escreveu que “às vezes se diz que Darwin convenceu o mundo científico sobre a evolução mostrando-lhes o processo pelo qual ela ocorreu”. Mas Darwin não tinha evidências da seleção natural; ele fez apenas algumas ilustrações imaginárias. Nesse sentido, “foi mais a insistência de Darwin em explicações totalmente naturais do que na seleção natural que conquistou a adesão da academia”. Essa mesma visão foi repetida em 1997 pelo biólogo evolucionista Richard C. Lewontin:

Não é que os métodos e instituições científicos de alguma forma nos obriguem a aceitar uma explicação material do mundo dos fenômenos, mas, pelo contrário, somos forçados por nossa adesão a priori às causas materiais em criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzem explicações materiais, não importando o quão contra-intuitivo, não importando o quão misterioso seja para os não iniciados. Além disso, esse materialismo é absoluto, pois não podemos permitir um Pé Divino na porta.

Essa citação é reveladora. Aparentemente, “evolução” para muitas pessoas significa que “não é permitido um pé divino na porta”. Para qualquer pessoa de fé, essas são palavras de luta. Mas não se pode cair no erro de que isso seja uma disputa entre ciência e fé; essa disputa não é com a ciência empírica, mas sim com a filosofia materialista disfarçada de ciência empírica.

Equipe Discovery-Mackenzie

https://www.mackenzie.br/discoverymackenzie/artigos/arquivo/n/a/i/debater-evolucao-tem-sentido/

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