Educação Cristã

O que a Bíblia diz sobre as teorias da aprendizagem?

O que a Bíblia diz sobre as teorias da aprendizagem?

Cadastre seu e-mail e receba com prioridade nossos conteúdos

As teorias de aprendizagem que estudei mais a fundo na universidade foram: behaviorismo, congnitiva, sociointeracionista e humanista. A teoria behavorista por ter um enfoque no comportamento coloca as emoções e sentimentos em segundo plano e reforça que para se chegar ao comportamento desejado é preciso dar o estímulo correto. Ao se deterem a estudar o comportamento, nos trouxeram como ganho a oportunidade de compreender melhor sobre nós mesmos e identificar “gatilhos” que podem disparar nossas ações. No entanto, tal teoria, como já mencionado, busca aperfeiçoar o comportamento a partir de fatores externos, quando sabemos que só através da mudança de mente (metanoia – Romano 12.1-2), podemos modificar nosso comportamento.

A teoria cognitiva acredita que a mente se desenvolve num processo dialético que ocorre por meio de autorregulação. Vejo como positivo o estudo dessa teoria sobre a epistemologia do conhecimento, que nos permitiu entender melhor sobre a organização mental do desenvolvimento da inteligência. No entanto, é uma teoria que deixa o aluno construir por si só o conhecimento e coloca o professor como um mero orientador.

Já a teoria sociointeracionista propõe que o desenvolvimento cognitivo ocorre por meio da interação social, levando em consideração os contextos sociais, históricos e culturais, numa relação dialética. Sendo assim, o aluno é o ponto de partida para a definição dos temas das aulas, o professor é o mediador e a relação entre eles deve ser horizontal. Concordo que precisamos levar em consideração o contexto de cada aluno e que as interações são importantes para a aprendizagem. Além das contribuições para a neurociência terem ajudado nos avanços do entendimento cognitivo. No entanto, colocar a criança como centro do processo educativo e deixá-la construir sozinha seu conhecimento é ameaçador, pois sabemos qual é o resultado dessa liberdade desassistida. Acrescendo ainda que a linearidade da relação professor e aluno dá voz à falta de autoridade na escola e na família.

Na teoria humanista existe a defesa de que o ensino está centrado no aluno, permitindo que cada pessoa defina seu processo de aprendizagem, tornando-o autônomo. Percebe o aluno com seus sentimentos e ações, trazendo a afetividade para sala de aula. Percebo ser esse o maior ganho dessa teoria, trazer os sentimentos para dentro da sala de aula, trabalhar com a empatia e afetividade segura. Porém, deixar a centralidade da aprendizagem nas mãos dos educandos é arriscado, além de ser uma teoria que foca na auto-realização através da aprendizagem livre, valorizando o homem e seu bem estar.

Todas as teorias da aprendizagem aqui listadas são perigosas, uma vez que trazem estudos que centram a importância no conhecimento do homem, buscando dar cada vez mais independência e liberdade. Apresentando-o como um sujeito capaz de com seus próprios meios prover para si e para a sociedade algo bom, sendo algo impossível por conta do advento da queda (Gênesis 3). Dessa forma, elas contradizem as verdades cristãs que enxergam o homem como pecador e que precisa da graça e misericórdia de Deus para produzir bons frutos.

E sobre as das metodologias de ensino? De maneira crítica, o que podemos analisar sobre as metodologias tradicionais, construtivista, montessoriana, Waldorf, freiriana, Pikler, Reggio Emilia, ativas?

As metodologias tradicionais colocam o docente como autor do conhecimento que será transmitido para os alunos. O docente assume uma posição de autoridade, algo positivo nessa metodologia. No entanto, sabemos que Deus (e não o professor) é o autor de todo o conhecimento. Acrescento ainda como aspecto negativo o fato de as aulas seguirem sempre um mesmo modelo (geralmente aula expositiva).

Na metodologia construtivista, ressalto como ponto positivo o fato das turmas terem poucos alunos, para acompanhar mais de perto a progressão de aprendizagem das crianças. Assim como nas teorias construtivistas, aqui acontecem as mesmas críticas negativas que teci a respeito do papel do aluno e do professor.

A metodologia de ensino Waldorf traz o ensino lúdico e o uso de materiais alternativos e não prontos, como destaques positivos. Porém, como contraponto, a metodologia se baseia no desenvolvimento de capacidades próprias e individuais, visando a evolução equilibrada das crianças. Ou seja, elas irão aprender que através do desenvolvimento de suas habilidades irão conseguir alcançar alguma forma de perfeição.

Já a metodologia freiriana leva em conta os aspectos sociais e culturais de cada aluno, algo que acho importante. Mas como problema, afirma que a compreensão do mundo se dá por meio do conhecimento transformador e libertador.

Na metodologia Pikler, considero bastante admirável respeitar os limites das crianças, valorizando atividades autônomas. Sem apressar seu desenvolvimento e respeitando as fases em que se encontra. No entanto, pode gerar uma distorção de compreensão nos pais e educadores ao pensarem que não têm responsabilidades sobre a criança e deixarem de exercer seus papeis de autoridade e referencia na educação.

A metodologia Reggio Emilia traz experiências sensoriais para a aprendizagem, usando os elementos da natureza. Bem como, é interessante o reforço ao trabalho coletivo. Mas ao evidenciar a subjetividade e valor de cada indivíduo, ela tira a centralidade de Deus.

A metodologia montessoriana traz aspectos interessantes para o desenvolvimento da criatividade, para a arquitetura do ambiente escolar e para o respeito ao ritmo de aprendizagem. Porém, traz o professor como um mero observador, em que os estudantes escolhem os assuntos que serão estudados.

Já as metodologias ativas propõem tornar o estudante motivado a interagir, mas para isso transforma o professor em um mero orientador e coloca o aluno como agente principal e responsável pela sua aprendizagem.

Mais uma vez, percebemos ideologias que tiram Deus da centralidade do processo de conhecimento e a colocam no homem. Na Bíblia, vemos Cristo constantemente instruindo. Multidões o seguiam e ficavam maravilhadas com seus ensinamentos. Ele foi apresentado como Mestre e usou diferentes métodos. Ele foi objetivo quando precisava ser, usou parábolas e comparações levando em consideração elementos conhecidos das pessoas que Ele iria ensinar. Ele se aproximava dos seus alunos e construía uma relação de confiança, era amigável e levava consigo seus discípulos para ensinar através da prática. Usava os recursos da natureza, recursos visuais, fazia perguntas, trazia problemáticas, repreendeu em amor e foi exemplo para todos. Ou seja, antes mesmo de todas as teorias de aprendizagem e de todas as metodologias existirem, Deus já havia deixado um exemplo para ser seguido. Um Mestre perfeito que consegue superar todos os estudos educacionais e ainda fazer isso revelando a Verdade. Que sejamos como Ele em nossas práticas diárias. 

Por Maria Elisa Cahú, professora Eccoprime.

Hello,

o que você achou deste conteúdo? Conte nos comentários.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cadastre seu e-mail e receba com prioridade nossos conteúdos