Cristianismo

Qual a melhor forma de adorar a Deus?

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O que é mais semelhante a Cristo, fazer uma pintura, alimentar os pobres, ou cantar na igreja? Quem é mais cristão, um pastor ou um soldado do exército? Qual música é melhor, uma cristã ou uma secular?

Infelizmente, ainda existe um forte dualismo em nosso meio, algo herdado da sociedade medieval, onde havia uma divisão de três estamentos: clero (aqueles que possuíam um chamado distinto de Deus para a vida espiritual na igreja), a nobreza (aqueles que lutavam e governavam), e os plebeus (os que trabalhavam). Neste aspecto, um trabalhador ou governador que não faziam parte do clero, não poderiam glorificar a Deus em suas vidas, muito menos servi-lo. Como isso era frustrante e triste.

Alguém que negou muito este conceito na época foi Lutero. Um sapateiro convertido perguntou a ele o que deveria fazer para servir bem a Deus. Ele talvez esperasse o conselho de fechar o seu negócio e tornar-se pregador do Evangelho. Porém Lutero respondeu: “Faça um bom sapato e venda-o por um preço justo”.

Foi Paulo quem escreveu: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” – 1 Coríntios 10:31
E também: “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens”. – Colossenses 3:23

Você não glorifica a Deus apenas num culto, mas também escovando os dentes. Dizer que o Evangelho se resume a reuniões num templo e dar comida aos pobres é banalizá-lo. Ser cristão vai muito além disso. Deus quer ser Senhor das nossas vidas na igreja, mas também na família, no trabalho, nos estudos, ouvindo uma música, e assistindo um filme. Ou seja, integralmente. Se reconhecemos Seu Senhorio, devemos entender também que todas as áreas de nossas vidas precisam ser redimidas por este Senhor. Pra isso, Ele veio. Para “que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo TODAS as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).

Percebe a extensão disso?

Por isso, aqueles que cantam na igreja, não glorificam mais a Deus do que dois homens de negócios que possuem honestidade, pois “equilíbrio e pesos honestos vêm do SENHOR” (Provérbios 16:11).

Como disse Abraham Kuyper: “Onde quer que o homem esteja, seja o que for que faça, ou no que aplique a sua mão, na agricultura, no comércio, na indústria, ou sua mente, no mundo da arte, e ciência, ele está, seja onde for, constantemente diante da face de Deus, está empregado no serviço de Deus, deve obedecer estritamente a seu Deus e acima de tudo deve ter como alvo a glória de Deus”.

Precisamos, urgentemente, voltar ao cristianismo integral. Um cristianismo que não seja reduzido à esfera espiritual da nossa vida, mas que seja a força que impulsiona toda a nossa vida para a glória de Deus.

Renan Xavier

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